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Pensem nisto, consciências fashion.

por mulher, em 30.01.15

Eu repito isto vezes e vezes sem conta. Não é possível. Eu sei quanto custa uma bobine de fio, um fecho, um elástico, um botão, estou por dentro do preço dos tecidos e pura e simplesmente não é possível. Ou melhor, não é HUMANAMENTE possível. Porque eles estão lá, os super preços, em frente ao nosso nariz. Mas a questão aqui é somente uma :

Para a roupa nos sair tão barata, é porque está a sair muito cara a alguém.

Pensem nisto.

 

 

 

Três jovens bloguers de moda noruegueses passaram das festas privadas em Oslo, para a dura realidade da vida de um trabalhador de uma fábrica têxtil no Cambodja. O desafio foi lançado por uma equipa que pretendia fazer um documentário sobre as condições de vida destes trabalhadores, chamando a atenção direta dos consumidores finais dos produtos que eles fabricam: roupa para grandes cadeias de moda como a H&M ou Mango.

O documentário pretendeu ser uma experiência social com o objetivo de mostrar os bastidores do fabuloso mundo da moda que, em muitos casos, é sustentado por histórias trágicas vividas em fábricas de países do terceiro mundo. Os produtores pretendem fazer todos aqueles que vêem o documentário pensar duas vezes antes de comprar uma peça de roupa nas cadeias de fast-fashion, que oferecem preços baixos à custa da exploração de milhares de pessoas.

Assim, uma série de cinco episódios mostra a aventura de Frida, Ludvig e Anniken durante um mês. Tal como os trabalhadores da fábrica, os três jovens ganharam 2,66 euros por dia, o que equivale a 115 euros no final do mês. Com esse dinheiro, tal como os trabalhadores, tiveram de sobreviver. Logo aqui, os jovens percebem que a maioria dos trabalhadores não consegue quebrar o ciclo de exploração de que é vítima pois cada cêntimo conta para alimentar a família. Os jovens mostram o seu choque ao perceber que a maioria das pessoas trabalha entre 10 a 12 horas por dia, 7 dias por semana. Anniken, de 17 anos, assumiu que chegava a gastar mais de 500 euros por mês apenas em roupa. A jovem irrompeu em lágrimas quando uma das trabalhadoras lhe contou que a sua mãe morreu de fome, por não ter dinheiro para comprar comida. Outro dos momentos marcantes para aquela que é uma das bloguers de moda mais famosas da Noruega foi quando outra mulher lhe contou que, durante 14 anos, passou os dias na fábrica a coser à máquina a mesma costura de uma camisola. “Mas que vida é esta?”, pergunta a jovem em lágrimas.

Os bloguers tiveram ainda um encontro com um jovem cambodjano ativista social, que organiza manifestações em prol dos direitos dos trabalhadores destas fábricas. Estas iniciativas acabam invariavelmente com agressões violentas por parte da polícia e nenhuma resposta efetiva. Atualmente os ativistas pedem o aumento do salário mínimo para os 160 dólares, ou 142 euros. Ludvig, chocado com esta realidade, acabou por tatuar este número no tornozelo durante o mês de residência em Phnom Penh, capital do Cambodja.

Outro dos momentos fortes do documentário é quando os jovens visitam a casa de uma das trabalhadoras e, chocados, comentam “A nossa casa-de-banho é maior do que toda a casa dela”. Mais tarde, visitam uma loja Mango com a mesma jovem, que diz que nunca comprou nenhuma peça numa loja, pois apenas pode gastar 1,77 euros por ano em roupa, pelo que precisaria do ordenado de um ano inteiro para comprar um casaco que ela própria produz.

No final das gravações, Anniken e Frida tornaram-se ativistas na batalha por um pagamento justo e melhores condições para os trabalhadores cambodjanos. As jovens, nalgumas das últimas imagens do documentário, pedem às marcas que se responsabilizem pelos seus trabalhadores. A H&M responde em comunicado que tem levado a cabo um programa para combater a exploração. A polémica levantada pelo documentário levou à realização de um debate no parlamento norueguês sobre como é que as marcas nacionais conduzem os seus negócios noutros países.

<img src="//thumbs.web.sapo.io?W=150&H=150&crop=center&delay_optim=1&epic=V2%3AjE4wcqRkrtrFmEvWFnPWjkm2TfiES2jG1eHZ5I82ZqjDpIzDg4odCORgNwCqhL2fkzR48aPVrLRq4pJPqKrQGJdBW1BCSUEyqw4rckX0IyGvkvmK0NaCHKBR915FTJOT" alt="" class="" title="Os jovens perceberam que os ordenados baixos dos trabalhadores não lhes permite comprar em lojas e supermercados mas apenas em mercados locais." >

 

 

 http://lifestyle.sapo.pt/moda-e-beleza/noticias-moda-e-beleza/artigos/documentario-mostra-realidade-da-fast-fashion

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